Manaus volta a liderar ranking de cidades com pior qualidade do ar no Brasil
Manaus voltou a ocupar o primeiro lugar no ranking das cidades brasileiras com a pior qualidade do ar nesta quarta-feira (28). A fumaça provocada por incêndios florestais durante a estiagem na Amazônia contribui para a elevação dos níveis de poluição e mantém em alerta a população, principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
De acordo com a plataforma internacional IQAir, a capital amazonense registrou índice de qualidade do ar de 148 pontos na manhã desta quarta-feira. O resultado é classificado como prejudicial à saúde de grupos sensíveis e indica a necessidade de cuidados para reduzir a exposição à poluição atmosférica.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram concentrações elevadas de partículas finas em diferentes regiões da capital e em municípios do interior do estado.
Poluição atinge Manaus e municípios do interior
Na capital, medições do Selva registraram 89 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de partículas finas nos bairros de Petrópolis e Praça 14 de Janeiro. Já nas regiões da Colônia Oliveira Machado, Educandos e Vila Buriti, a concentração chegou a 79,8 µg/m³.
No interior do Amazonas, os índices também chamaram a atenção. Parintins registrou 117,3 µg/m³, enquanto Iranduba alcançou 106,5 µg/m³ e Silves chegou a 102,1 µg/m³.
As partículas finas, conhecidas como PM2,5, são poluentes microscópicos presentes, entre outras fontes, na fumaça de queimadas. Por causa do tamanho reduzido, elas podem penetrar profundamente no sistema respiratório e agravar doenças preexistentes.
Os efeitos da exposição incluem irritação nos olhos e na garganta, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de quadros de asma e outras doenças respiratórias. Os riscos aumentam conforme a concentração dos poluentes e o tempo de exposição.
Manaus registra novos episódios de poluição em outubro
A piora desta quarta-feira ocorre após uma sequência de episódios de baixa qualidade do ar registrados ao longo de outubro. A capital amazonense já havia aparecido diversas vezes entre as cidades brasileiras com os maiores índices de poluição provocada pela fumaça.
No dia 15 de outubro, Manaus chegou a ocupar a segunda posição no ranking, atrás de Porto Velho (RO). Na manhã do dia 16, voltou à liderança, com índice de 167 pontos.
Embora as condições atmosféricas possam melhorar temporariamente, a redução da poluição não significa necessariamente que o problema tenha sido resolvido. A persistência de focos de incêndio, a falta de chuva e as condições dos ventos podem favorecer o transporte de fumaça para áreas urbanas e prolongar os episódios de má qualidade do ar.
Estiagem e incêndios mantêm o alerta ambiental
O cenário reforça a preocupação com os efeitos das queimadas durante o período de estiagem na Amazônia. Além dos danos à vegetação e à biodiversidade, os incêndios florestais liberam grandes quantidades de fumaça e partículas poluentes, que podem alcançar cidades distantes dos focos de fogo.
Em outubro, o governo federal mobilizou equipes e aeronaves para apoiar o combate aos incêndios no Amazonas, diante da persistência das ocorrências no estado.
A situação exige atenção contínua dos órgãos ambientais e de saúde, tanto para conter os focos de incêndio quanto para reduzir os impactos da poluição sobre a população.
Recomendações para a população
Diante dos níveis elevados de poluição, a recomendação é reduzir a exposição à fumaça, especialmente nos períodos em que os índices de qualidade do ar estiverem mais altos.
Entre os cuidados estão evitar atividades físicas intensas ao ar livre, manter crianças e idosos longe de ambientes com fumaça e permanecer em locais fechados com boa vedação, sempre que possível. Pessoas com doenças respiratórias devem seguir as orientações médicas e procurar atendimento de saúde em caso de agravamento dos sintomas.
A evolução da qualidade do ar pode ser acompanhada por plataformas de monitoramento, como a IQAir, e pelo sistema Selva, da UEA.



Publicar comentário