“Foi uma desgraça”: Trump volta a atacar eleição no Brasil, diz que vai conversar com Lula e revela pedido de neutralidade
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, voltou a criticar duramente as eleições presidenciais brasileiras nesta quinta-feira (29/10) e classificou o pleito do último domingo (25/10) como “uma desgraça” e “uma vergonha” para o povo brasileiro.
A declaração foi dada a jornalistas na Casa Branca, quatro dias após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao ser questionado se reconheceria oficialmente a vitória de Lula e se iria cumprimentá-lo, Trump desconversou.
“Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma desgraça”, declarou.
Em outro momento, ao ser perguntado sobre quem considera o vencedor legítimo, respondeu:
“Não quero comentar, mas penso que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”.
Trump não apresentou provas para sustentar as críticas. Ele justificou a avaliação citando o impacto no mercado financeiro. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o Ibovespa despencou 13,88%, maior queda desde março de 2020, e o dólar disparou 8,21%, fechando a R$ 5,40, o que levou a Bolsa a suspender temporariamente as negociações.
Esta é a quinta vez na semana que Trump questiona o pleito brasileiro. Na terça-feira (27), durante comício no Texas, ele insinuou fraude:
“Os democratas são os maiores fraudadores de eleições, embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso”.
Na quarta-feira (28), chamou a eleição de “muito estranha” e disse que não iria se envolver.
O republicano revelou ainda um bastidor, afirmando que manteve neutralidade durante a campanha a pedido do próprio Lula.
“O atual presidente me pediu para não tomar partido. E eu não tomei. Deixei para lá”, afirmou Trump.
Até o momento, a Casa Branca não divulgou nota oficial reconhecendo o resultado. Segundo informações, não há ligação marcada entre os dois líderes, mas um encontro pode ocorrer em dezembro durante a Cúpula de Líderes do G20, nos EUA.
A declaração ocorre no mesmo contexto da viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA. Derrotado nas urnas, o senador deixou o Brasil via Argentina e chegou a Miami na quarta-feira (28), onde divulgou uma carta em que se autodeclarou “presidente eleito” e depois “líder do Brasil”, agradecendo a Trump e ao presidente argentino Javier Milei.
Trump confirmou que seu governo autorizou a entrada e permanência da família do parlamentar nos EUA, afirmando que foram tratados de forma “muito injusta”, mas disse que “não vai se envolver” na crise política brasileira.



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