Fumaça das queimadas mantém aulas suspensas em Manaus e preocupa autoridades de saúde
A fumaça provocada pelas queimadas no Amazonas continua afetando a rotina de Manaus e levou à manutenção da suspensão das aulas presenciais na capital. Nesta terça-feira (20), a Prefeitura de Manaus manteve suspensas as atividades da rede municipal de ensino devido à baixa qualidade do ar.
Segundo boletim da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec), divulgado na segunda-feira (19), a concentração média de partículas finas (PM2,5) chegou a 67,6 microgramas por metro cúbico, índice classificado como “ruim”, com previsão de possível agravamento nas horas seguintes, podendo atingir picos de 132 µg/m³.
Na rede estadual, a suspensão é ainda mais ampla: as aulas presenciais permanecem interrompidas em Manaus e em Autazes até sexta-feira (23). A decisão foi tomada com base em orientações da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), diante da classificação “muito ruim” registrada em diferentes pontos da capital.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) apontaram níveis elevados de PM2,5 em bairros como Japiim, Petrópolis, Coroado e Morro da Liberdade.

A situação também afetou instituições de ensino superior.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam)suspenderam as atividades presenciais até sexta-feira. A medida busca reduzir a exposição de estudantes, professores e servidores à fumaça e aos poluentes presentes na atmosfera.
A exposição prolongada à fumaça pode provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, tosse e falta de ar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Por isso, as autoridades recomendam evitar atividades físicas ao ar livre, reduzir o tempo de exposição à fumaça, manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de poluentes e, quando necessário, utilizar máscaras do tipo PFF2 ou N95. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas devem redobrar os cuidados.
A crise ambiental ocorre em meio ao aumento expressivo dos focos de incêndio no Amazonas. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 7.815 focos de incêndio no estado entre janeiro e 12 de outubro de 2026, número 116% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A fumaça proveniente das áreas atingidas pelas queimadas tem sido transportada para Manaus, comprometendo a qualidade do ar e provocando sucessivas alterações na rotina da população.
Enquanto a situação permanecer crítica, as autoridades devem continuar monitorando os índices de poluição e avaliando diariamente a necessidade de manutenção ou retomada das atividades presenciais. Na rede municipal, os professores foram orientados a seguir as diretrizes pedagógicas já encaminhadas pela Secretaria Municipal de Educação para garantir a continuidade do processo de aprendizagem durante o período de suspensão.



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